A atuação do correspondente bancário envolve contato direto com dados pessoais sensíveis de clientes, como informações cadastrais, financeiras e, em alguns casos, biométricas. Nesse contexto, o olhar do DPO (Data Protection Officer) torna-se essencial para garantir que a operação esteja alinhada às exigências da LGPD e às boas práticas de compliance.
Mais do que um fiscalizador, ele atua como um orientador estratégico para reduzir riscos, prevenir incidentes e fortalecer a confiança no relacionamento com o cliente.
Para instituições e profissionais ligados à ANEPS, compreender essa visão é um passo importante para uma atuação mais segura, profissional e consoante à legislação vigente. Confira!
O DPO, ou Encarregado pelo Tratamento de Dados Pessoais, é o profissional responsável por orientar, monitorar e aconselhar a organização quanto ao cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Ele atua como ponto de contato entre a empresa, os titulares dos dados e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Na prática, esse profissional avalia processos, identifica riscos, propõe melhorias e promove a cultura de proteção de dados. No setor financeiro, onde o volume e a sensibilidade das informações são elevados, sua atuação é ainda mais importante.
Do ponto de vista do DPO, o correspondente bancário é um elo sensível da cadeia de tratamento de dados — fato que se deve a esse profissional atuar na linha de frente do atendimento, coletando e manipulando informações pessoais em nome das instituições financeiras.
Qualquer falha nesse processo, como coleta excessiva de dados, armazenamento inadequado ou compartilhamento indevido, gera riscos legais e reputacionais. Por isso, o encarregado avalia com atenção os procedimentos adotados pelos correspondentes e o nível de capacitação desses profissionais.

Entre os principais dados tratados pelo correspondente bancário, estão: nome completo, CPF, endereço, renda, informações bancárias e documentos pessoais. Em algumas operações, também são coletados dados sensíveis, a exemplo de biometria facial ou digital.
Sob a ótica da proteção, é fundamental que apenas aqueles estritamente necessários sejam coletados, sempre com uma finalidade clara e legítima. Esse princípio, conhecido como minimização de dados, é um dos pilares da LGPD.
A avaliação feita pelo DPO passa por alguns pontos-chave. O primeiro deles é a base legal utilizada para o tratamento dos dados, como consentimento ou cumprimento de obrigação legal. Em seguida, analisa-se a transparência no atendimento, verificando se o cliente é devidamente informado sobre como seus dados serão utilizados.
Outro aspecto relevante é a segurança da informação; pois esse profissional observa se o correspondente adota medidas adequadas para evitar vazamentos, acessos não autorizados ou perdas de dados, tanto em meios físicos quanto digitais.
Para o DPO, treinamento não é um detalhe, e sim uma exigência básica. Correspondentes bancários bem capacitados reduzem significativamente os riscos de incidentes relacionados à proteção de dados; o que inclui o correto preenchimento de formulários e a orientação adequada ao cliente sobre seus direitos.
Nesse ponto, a certificação obrigatória ganha ainda mais relevância. Instituições como a ANEPS se destacam ao oferecer, além da qualificação exigida para atuação, conteúdos atualizados que contribuem para uma prática mais consciente e alinhada às normas de compliance.
Uma dúvida comum é se o correspondente bancário pode ser responsabilizado em caso de descumprimento da LGPD. Do ponto de vista jurídico, a responsabilidade pode recair tanto sobre a instituição financeira quanto sobre o correspondente, dependendo do caso.
Por isso, o encarregado defende processos bem definidos, contratos claros e orientações objetivas. A atuação correta protege a empresa e o próprio profissional, que passa a exercer sua função com mais segurança.
Ao promover cursos, certificações e conteúdos informativos, a ANEPS reforça seu papel como referência no segmento de correspondentes bancários. Essa atuação vai ao encontro da visão do DPO, que valoriza ambientes organizados, profissionais capacitados e processos transparentes.
Além disso, ao acompanhar atualizações regulatórias e compartilhar boas práticas, a instituição ajuda a criar uma cultura de proteção de dados que beneficia todo o ecossistema financeiro.
Em síntese, o DPO espera que o correspondente bancário atue com responsabilidade, ética e conhecimento das normas de proteção de dados. Mais do que cumprir uma obrigação legal, trata-se de construir uma relação de confiança com o cliente e com as instituições financeiras.
Ao investir em qualificação contínua, seguir orientações de compliance e manter-se atualizado, o correspondente bancário fortalece sua atuação profissional e contribui para um mercado mais seguro e transparente. Esse é um diferencial cada vez mais valorizado no setor e um dos pilares para a consolidação de uma atuação sólida e em conformidade com a LGPD.
Autor
ISADORA SOUZA