A aplicação das normas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLDFT) é um requisito essencial no setor financeiro. Para os correspondentes e agentes de crédito, compreender como esses mecanismos funcionam na rotina é fundamental tanto para a segurança das instituições quanto para a própria atuação profissional.
Por isso, analisar exemplos reais ajuda a transformar a teoria em prática, fortalecendo a tomada de decisão e a capacidade de identificar situações de risco.
Neste artigo, apresentamos três exemplos de operações suspeitas , explicando por que cada caso exige cuidado, como reconhecer sinais de alerta e qual deve ser a postura do profissional diante dessas ocorrências. Confira!
A legislação brasileira exige que instituições financeiras e seus representantes adotem políticas de controle , monitoramento e comunicação de operações com indícios de irregularidades. Para o correspondente bancário, isso significa atuar com atenção redobrada ao atender clientes, registrar operações e validar documentos.
Porque a falta de percepção sobre comportamentos suspeitos pode expor o profissional e a instituição a riscos legais, financeiros e reputacionais. A identificação precoce ajuda a evitar a entrada de recursos ilícitos no sistema financeiro e demonstra conformidade com as normas do Banco Central e do COAF.
Existem vários fatores que elevam o grau de risco de uma operação. Entre os principais, estão:
Esses elementos não significam automaticamente que uma irregularidade está presente, mas exigem análise cuidadosa. Agora, vamos aos exemplos.
Um cliente realiza depósitos em espécie repetidas vezes ao longo da semana, sempre em valores próximos ao limite que obriga comunicação automática. Nenhum dos depósitos, isoladamente, desperta grande atenção, mas o padrão acumulado se torna atípico.
O fracionamento de valores é uma das práticas mais comuns para tentar evitar o rastreamento de recursos ilícitos. Quando o cliente deposita várias quantias pequenas de forma recorrente, isso pode indicar tentativa de dissimulação.
A primeira análise sempre deve buscar coerência:
Se as respostas forem inconsistentes, o correspondente deve registrar a operação como suspeita no sistema da instituição.
Uma pessoa comparece à unidade para solicitar um empréstimo em nome de um terceiro, portando procuração. Ela demonstra pouco conhecimento sobre a finalidade do crédito e evita fornecer detalhes sobre o uso do dinheiro, e o titular da conta não comparece em nenhum momento.
O uso de interpostas pessoas é uma das estratégias mais frequentes para ocultar beneficiários finais. Quando o solicitante não é o titular e não demonstra vínculos ou informações suficientes, isso acende um alerta imediato.
Para avaliar o risco, o profissional deve verificar:
Na ausência de transparência, é necessário reportar a suspeita internamente, mesmo que os documentos apresentados pareçam regulares.
Um cliente com renda modesta realiza transferências frequentes para contas no exterior, sem conseguir demonstrar vínculo comercial ou familiar que justifique os envios.
Movimentações internacionais são, por natureza, consideradas de maior risco, especialmente quando o cliente não apresenta perfil econômico compatível. A falta de fundamentação clara indica possível uso da conta para intermediar recursos de origem desconhecida.
A análise deve considerar:
Se a operação não apresentar justificativa plausível, o relato deve ser comunicado conforme os procedimentos da instituição.

A postura mais importante é seguir rigorosamente as diretrizes internas da instituição. O correspondente não deve avisar o cliente sobre a suspeita, prática chamada de tipping-off, proibida pela legislação. O correto é registrar a informação no sistema, anexar documentos relevantes e encaminhar ao setor responsável pela análise.
Compreender a PLDFT na prática é um diferencial essencial para correspondentes bancários. Os conhecimentos teóricos são fundamentais, mas é na observação de situações reais que o profissional desenvolve senso crítico, atenção ao detalhe e segurança para agir quando necessário.
A ANEPS, como instituição referência na formação e na certificação de correspondentes bancários, reforça a importância de manter-se atualizado, compreender o comportamento das operações financeiras e aplicar as normas com responsabilidade. Quanto mais preparados estiverem os profissionais, mais seguro se torna o sistema financeiro e maior é a credibilidade de profissionais e instituições.
Autor
ISADORA SOUZA