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Com empresas médias, ABC vê perspectiva de melhora na rentabilidade

Em contrapartida, o banco trabalha com um aumento de 16% a 18% nas despesas operacionais neste ano


Fonte: Valor Econômico - 09 de Fevereiro de 2021

O banco ABC Brasil vê condições para a melhora da rentabilidade em 2021, depois de um ano voltado ao fortalecimento do balanço contra a crise e à expansão de seu modelo de negócios.
 
A instituição financeira espera crescimento de 45% a 55% na carteira de crédito de médias empresas, segmento no qual passou a atuar há dois anos e somava R$ 2 bilhões, ou 5,9% do saldo total de empréstimos e financiamentos, em dezembro. O nicho traz a perspectiva de spreads mais elevados que os pagos pelas grandes companhias, público mais tradicional para o ABC. Para a carteira como um todo, que encerrou dezembro em R$ 34,378 bilhões, a expectativa do banco é de crescimento de 12% a 16% em 2021, ritmo parecido com o do ano passado.
 
Ao mesmo tempo, o custo do crédito deve diminuir neste ano, enquanto a taxa Selic tende a subir nos próximos meses. “Trabalhamos com a perspectiva de aceleração da atividade econômica à medida que as pessoas forem vacinadas e as incertezas forem se dissipando”, afirma o vice-presidente de relações com investidores do ABC, Sergio Borejo.
 
O ABC gerou retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) de 7,8% no ano passado, ante 12,6% em 2019. No quarto trimestre, o indicador melhorou e foi a 10%. O banco não fornece projeções para o indicador.
 
Segundo Borejo, parte das condições esperadas para este ano já começou a aparecer no último trimestre. Nele, o ABC reportou lucro líquido recorrente de R$ 106 milhões, o que representa queda de 11,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas uma melhora de 44,2% frente ao terceiro trimestre. No ano todo, o ABC lucrou R$ 322,1 milhões, um recuo de 34,1%.
 
O resultado de 2020 foi negativamente afetado pelas despesas com provisões contra calotes (PDD), que totalizaram R$ 307,4 milhões, com aumento de 152% em relação ao ano anterior. A expectativa, segundo Borejo, é que haja uma normalização dessas despesas daqui para a frente, até porque o banco fechou o ano com uma cobertura elevada - de 581% - para lidar cum um possível aumento da inadimplência. “Tem incertezas na atividade econômica e a gente já está se preparando”, diz.
 
Em contrapartida, o banco trabalha com um aumento de 16% a 18% nas despesas operacionais neste ano, depois de já terem crescido 14,9% em 2020. Os gastos estão relacionados a investimentos em tecnologia, reforço na equipe de vendas e lançamento de novas frentes de atuação, como crédito consignado para o setor privado e uma corretora de seguros - em linha com a diversificação buscada pela instituição. “O importante é para o que essa despesa está sendo usada. Se gera ganho de escala, como nesse caso, não é um problema”, afirma Borejo.