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‘XP pode dobrar de tamanho como banco’

A XP prevê dobrar de tamanho atuando como banco e não vê a redução de participação ou saída total do Itaú Unibanco do quadro de acionistas com preocupação


Fonte: Valor Econômico - 14 de Janeiro de 2021

A XP prevê dobrar de tamanho atuando como banco e não vê a redução de participação ou saída total do Itaú Unibanco do quadro de acionistas com preocupação. “O Itaú teve um super retorno com a gente e tem todo direito de fazer o que acha melhor. Vamos melhorar a nossa governança porque acabamos construindo algumas questões que, o Itaú não sendo nossa governança porque acabamos construindo algumas questões que, o Itaú não sendo nosso sócio, deixa a companhia muito melhor”, disse Guilherme Benchimol, fundador e presidente da XP, ao participar ontem da “Live do Valor ”.
 
Em novembro, o Itaú informou ao mercado que pretende fazer uma cisão de sua fatia de 41,05% na corretora, criando uma nova companhia que ficará com essa participação. No mês seguinte, o banco vendeu no mercado cerca de 5% da XP. Para Benchimol, com o Itaú como acionista, havia “um certo conflito de interesse”, e que “agora, sem essa interferência, deixará a corretora mais apta a continuar crescendo.
 
Com a licença de banco já aprovada pelo Banco Central, Benchimol afirmou que esse movimento permitirá à XP mais do que dobrar de tamanho, sem conquistar nenhum novo cliente, uma vez que o grupo poderá oferecer mais produtos e serviços e aumentar seu “share of wallet” entre os consumidores.
 
“Temos 3 milhões de clientes ativos, que acabam tendo relação com algum banco [tradicional], porque precisam ter conta corrente. O simples fato de construirmos uma operação vertical e poder oferecer as facilidades de um banco nos dá uma enorme oportunidade no curto prazo”, comentou. Criticando a concentração bancária no país, Benchimol disse que os clientes não estão no foco dos bancos.
 
Dentro de sua nova estratégia de expansão, ele contou que a XP trouxe José Berenguer, até então CEO do J.P. Morgan no Brasil para comandar seu banco de atacado. “Estamos muio otimistas com nossa capacidade de atender as empresas brasileiras. Vamos atender em outras frentes, como câmbio, derivativos, crédito, usando os mercados de capitais.”
 
O executivo também cutucou seu principal sócio no episódio conhecido “guerra dos coletes”. Em junho passado, o Itaú lançou uma campanha de marketing criticando o modelo de agentes autônomos. “Só acho estranho alguém ser acionista e falar mal dela”, afirmou ele, acrescentando que o episódio acabou sendo positivo para XP, que abriu novas contas. Segundo ele, a área de agentes autônomos da XP vai continuar crescendo, a despeito dos canais de operação diretos, como as corretoras Rico e Clear.
 
Questionado sobre as saídas de alguns escritórios para se plugar em rivais como o BTG Pactual, por exemplo, ele afirmou que os parceiros que saíram eram pequenos e que os impactos foram marginais. “O crescimento que a gente tem mais do que compensou isso”. Benchimol reconheceu que a XP teve alguns atritos com o BTG, mas disse que isso ficou para trás.
 
Na “Live”, Benchimol disse também acreditar que a injeção de capital pelos bancos centrais para mitigar os efeitos da pandemia de coronavírus e o cenário de juros baixos no Brasil deixam o mercado de capitais aquecido. Segundo ele, se o Brasil encaminhar as questões ficais e as reformas estruturais, o número de ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) em 2021 tende a superar o recorde anterior, de 2007.
 
Segundo ele, o início da vacinação brasileira deve ser feita o quanto antes para a retomada da economia. “Vacinação é o que vai trazer a vida de voltar ao normal, ainda devemos ter o primeiro semestre meio confuso”, disse.
 
Para Benchimol, o anúncio da saída da Ford do Brasil, feito na segunda-feira, abre também uma discussão importante sobre oferecer incentivos a empresas. “É importante que a sociedade discuta se ela quer oferecer subsídios às empresas e quais setores vão receber o subsídio”, disse.