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Caixa deve ficar com mais de 40% da Elo

Banco aumentará participação após revisão periódica entre acionistas da bandeira de cartões


Fonte: Valor Econômico - 19 de Fevereiro de 2021

A Caixa deve ficar com mais de 40% do capital da Elo no fim da rodada atual de discussões entre os acionistas para recalcular as participações de cada um. O banco estatal, que hoje tem 36,89%, vai ganhar espaço, enquanto Bradesco e, principalmente, Banco do Brasil (BB) terão suas fatias reduzidas na bandeira de cartões, que está em processo de IPO.
 
Os percentuais definitivos ainda não foram fechados. Embora já haja um entendimento sobre as linhas gerais do acerto, ainda está em curso uma discussão relativa a custos de transações da empresa, o que deve resultar em ajustes a ser fechados no mês que vem, apurou o Valor.
 
A Elo Serviços, dona da bandeira de cartões Elo, é controlada pela holding EloPar - que por sua vez pertence ao Bradesco (50,01%) e ao BB (49,99%). A holding detém 56,97% do capital da bandeira e 99,99% das ações ordinárias. A Caixa tem 36,89% do capital total e o Bradesco ainda é dono, diretamente, de outros 6,14% das ações.
 
A revisão periódica de participações é prevista no acordo de acionistas como uma cláusula de incentivo para que os sócios promovam a bandeira em suas respectivas redes. Quem proporcionalmente fomenta mais negócios com cartões Elo ganha o direito de comprar uma fatia adicional da empresa pelo valor patrimonial das ações. Esse processo se dá a cada quatro anos, embora todos os meses se calcule o peso teórico dos acionistas.
 
 
Desta vez, porém, as conversas esquentaram e ganharam relevância porque, na prática, a nova fotografia definirá quanto cada sócio poderá ganhar no IPO da companhia ou posteriormente, com a valorização dos papéis. A revisão atual também é a última, segundo fontes, porque deixará de fazer sentido após a abertura de capital.
 
A Caixa já havia aumentado seu peso em rodadas anteriores porque era quem mais vinha emitindo cartões Elo. Originalmente, o banco tinha 33,34% da empresa e a EloPar, o restante. Agora, no entanto, o pagamento do auxílio emergencial deu outra dimensão ao crescimento da instituição financeira e impulsionou a bandeira tanto na quantidade emitida quanto em volume movimentado. De acordo com a Abecs, associação das empresas do setor de cartões, o benefício representou R$ 52,6 bilhões dos R$ 762,4 bilhões em transações com cartões de débito feitas em 2020.
 
A vantagem da Caixa por causa do auxílio - que, em seu auge, foi pago a 68 milhões de brasileiros - foi levantada nas discussões entre os sócios. Porém, o banco alegou que também teve custos com a operação emergencial e que o esforço comercial para promover a Elo é anterior à pandemia. Agora, essa já é uma questão superada nas conversas, de acordo com interlocutores próximos aos três acionistas. Uma das fontes também lembra que a revisão leva em conta todo o período de 2017 a 2020, e não apenas o ano passado, marcado pelo auxílio.
 
Criada para competir com as gigantes globais Visa e Mastercard, a Elo começou a emitir cartões em 2011 e se tornou a terceira maior bandeira do mercado local. Conquistou 6,3% da base ativa de cartões de crédito e participação de 37,7% no débito, segmento do qual se tornou líder, segundo dados referentes a 2019, os mais recentes divulgados pelo Banco Central (BC). A fatia da empresa provavelmente cresceu no ano passado.
 
Outro dos pontos em aberto é que, com a extinção da revisão periódica após a abertura de capital, um novo contrato de longo prazo terá de ser costurado para manter o engajamento dos bancos na emissão de cartões Elo - ponto importante para dar visibilidade sobre o fluxo de caixa futuro da empresa. Esse tipo de mecanismo, que inclui metas, ações de mercado.
 
Também será objeto de análise o valor do contrato entre a Elo e a Cielo por meio da qual a credenciadora fornece mão de obra e presta serviços de processamento de transações para a bandeira.
 
Por fim, falta definir que estrutura de capital terá a operação. Hoje, a Elo tem ações preferenciais e ordinárias. Uma eventual decisão de listar a companhia no Novo Mercado da B3 implicaria converter todo o capital em ON.
 
Há também uma preocupação dos acionistas e da direção da Elo em evitar que as participações somadas de Caixa e BB fiquem tão grandes que a companhia se torne “estatal”, o que poderia afetar a competitividade e trazer problemas de governança.
 
Os bancos e a empresa não comentam o assunto.