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Inflação de 4,5% é melhor do que 2,1%, diz diretor do BC

Uma inflação de 4,5% para o ano de 2020 é "espetacularmente" melhor do que uma inflação de 2,1%, como o Banco Central chegou a prever em setembro de 2020, disse o diretor de Política Monetária da instituição, Bruno Serra Fernandes


Fonte: Valor Econômico - 13 de Janeiro de 2021

Uma inflação de 4,5% para o ano de 2020 é "espetacularmente" melhor do que uma inflação de 2,1%, como o Banco Central chegou a prever em setembro de 2020, disse o diretor de Política Monetária da instituição, Bruno Serra Fernandes. Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano passado ficou em 4,52%. O centro da meta do governo era de 4%.
 
"Estamos entregando uma inflação acima do centro da meta, o que nunca é desejável", disse em 'webinar' sobre a conjuntura econômica brasileira promovido pela XP Investimentos. "Mas, como estamos sempre perseguindo o centro, 4,5% é espetacularmente melhor do que os 2,1% que imaginávamos em setembro."
 
Ele destacou que o mercado chegou a calcular, inclusive, uma inflação para 2020 ainda menor do que os 2,1% projetados pelo BC.
 
Segundo Serra, com a pandemia continuam as dificuldades de traçar cenários, mesmo de curto prazo, mas “a direção macro está bem melhor do que imaginávamos há seis meses, em termos de atividade e inflação”.
 
“Parece que vamos caminhar para uma queda do Produto Interno Bruto muito mais próxima de 4%” em 2020, segundo ele. “Já é uma economia que funciona de maneira muito mais normal”, afirmou, dizendo que a “atividade produtiva se adaptou na pandemia”, embora não esteja “tudo normalizado, longe disso”.
 
Como a crise econômica “foi muito rápida”, quase não houve destruição de capacidade instalada, de acordo com o diretor. “Onde destruiu, foi para melhor”, afirmou, citando o uso mais intenso de tecnologia, por exemplo.
 
Para Serra, a segunda onda da pandemia pode ter menos impactos sobre a atividade econômica do que a primeira onda. “Estamos vendo agora, por ora, um recrudescimento da doença, que é mais consequência de um aumento da mobilidade”, disse, destacando que essa maior mobilidade pode gerar menos efeitos negativos sobre os negócios. “Esse recrudescimento da doença não tem as mesmas consequências econômicas da primeira rodada.”
Independentemente da segunda onda, Serra afirmou que a economia brasileira já vinha desacelerando com a redução do valor do auxílio emergencial pela metade e por uma “acomodação” depois do início da retomada. “A renda disponível na mão das pessoas e estímulos de crédito fizeram a demanda não parar”, afirmou.
 
O diretor afirmou que o varejo terá alguma desaceleração. Já a indústria está acima do nível pré-pandemia, embora ainda carregue “um buraco grande” no dado anual. Segundo ele, a indústria “já deve ter algum estoque bastante grande”, destacando que houve um menor repasse de preços para bens industriais no fim do ano passado.