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Bolsa sobe aos 125 mil pontos e fecha com novo recorde pela 2ª vez seguida

Bom humor do mercado brasileiro foi na contramão de Nova York, que fechou com altas moderadas depois de uma sessão negativa, e também do dólar, que teve alta de 0,32%, a R$ 5,41


Fonte: O Estado de S. Paulo - 11 de Janeiro de 2021

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou pela segunda vez consecutiva em um novo recorde histórico, em alta de 2,20%, aos 125.076,63 pontos, apesar do clima moderado do mercado acionário de Nova York nesta sexta-feira, 8. O andamento da vacinação no País e o clima de euforia com a 'onda azul' democrata nos Estados Unidos, apoiaram o Ibovespa. No entanto, no câmbio, as preocupações com as questões fiscais do governo brasileiro, fizeram o dólar subir 0,32%, a R$ 5,4165.
 
Os números do pregão de hoje foram robustos, com o giro financeiro da Bolsa chegando aos R$ 46,3 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumula ganho de 5,09%. No melhor momento, às 17h10, estabeleceu novo recorde de cotação intradia, aos 125.323,53 pontos. Assim, o índice emendou também o segundo avanço semanal, obtendo seu melhor desempenho desde a semana encerrada em 6 de novembro (7,42%).
 
Na reta final do pregão, o mercado de Nova York também esboçou alguma reação. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq encerraram com altas moderadas de 0,18%, 0,55% e 1,03% - mas os três tiveram novos recordes de fechamento. Nos EUA, o presidente eleito, Joe Biden, disse neste fim de tarde que a decepcionante leitura dos mais recentes dados sobre vagas de trabalho no país, divulgados pela manhã, "mostra que precisamos prover ainda mais alívio fiscal, urgente". Ele afirmou também que o pacote fiscal inteiro "estará na soma de trilhões de dólares" - sem mais detalhes, devendo sair na próxima semana.
 
Por aqui, a ascensão sem escalas nesta primeira semana do ano por terreno não mapeado, enquanto o dólar continua a refletir cautela quanto à situação fiscal doméstica, coloca em jogo a extensão do rali iniciado em novembro com o retorno do investidor estrangeiro à Bolsa. A liquidez global continua a ser o mote para levar adiante o Ibovespa, adiando realização de lucros mesmo nos dias menos azuis.
 
"O mercado está inundado de liquidez e a disponibilidade de vacinas dá mais previsibilidade para a retomada, o que tem se refletido na demanda global por todo tipo de ativo, seja petróleo, minério, ações e mesmo bitcoins", diz Romero Oliveira, especialista em renda variável da Valor Investimentos. Hoje, a Anvisa recebeu pedidos para uso emergencial da vacina Coronavac (do Instituto Butantan) e do imunizante da AstraZeneca com a Universidade de Oxford (produzida pela Fiocruz).
 
Nem mesmo o desempenho misto das principais ações do Ibovespa, impediram sua alta consistente. Petrobrás PN subiu 0,39%, mas a ON caiu 0,19%. Entre os bancos, BB ON se descolou e teve alta de 0,58%, enquanto a Vale, que vinha de forte alta nos últimos pregões, caiu 0,31%. O destaque ficou para a Intermédica, com salto de 26,59% e a Hapvida, com 17,68%, após uma proposta de combinação de negócios entre as empresas.
 
O Termômetro Broadcast Bolsa mostra aumento do otimismo nas expectativas para as ações na próxima semana. Das 17 respostas, 64,71% dos participantes disseram esperar alta para o Ibovespa no período, enquanto 23,53% apontaram tendência à estabilidade e 11,76% afirmaram esperar queda. 
 
No entanto, a hostilidade no cenário político americano, após as cenas de violência vistas no Congresso ainda nesta semana, devem chamar atenção nos próximos dias. A atitude de Donald Trump, em se negar a acompanhar a cerimônia de posse de Biden, também acende um alerta vermelho. Em carta endereçada a congressistas, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, informou ter conversado com autoridades militares para discutir precauções a fim de evitar que um "presidente instável inicie hostilidades militares ou acesse códigos para ordenar um ataque nuclear". "É preciso ver agora se Trump se contentará em ficar quieto ou se ainda causará problema", diz um operador.
 
Câmbio

O real, assim como terminou 2020, começou 2021 como uma das moedas com pior desempenho ante o dólar, considerando as 34 divisas mais líquidas. A moeda americana acumulou alta de 4,4% na primeira semana do ano, a quarta consecutiva de valorização. O risco fiscal em alta no Brasil voltou a incomodar os investidores e, nos últimos dias, a divisa passou também a ganhar força internacionalmente, em um movimento de correção estimulado pela visão de que a economia americana pode crescer mais no governo de Joe Biden, gerando mais inflação. No mercado futuro, o dólar para fevereiro teve ganho de 0,18%, a R$ 5,4245.
 
Em meio às crescentes incertezas domésticas, com notícias fiscais que não agradaram, profissionais das mesas de câmbio relatam que aumentou esta semana a procura por hedge cambial, contrato que serve para a proteção em outras aplicações domésticas, sobretudo na Bolsa. "Vimos nos últimos meses uma sequência de procrastinação, com o Executivo e o Legislativo empurrando com a barriga decisões fiscais importantes", avalia o gestor da Kairós Capital, Fabiano Godoi, citando a dificuldade de avançar com vários temas da agenda, incluindo o Orçamento de 2021. 
 
"O reflexo nos mercados é a piora da percepção fiscal do País", destaca o gestor da Kairós, citando que o efeito maior tem sido no câmbio e nos juros futuros. "O real está extremamente desvalorizado em relação a outros emergentes, tem uma grande distorção em relação aos pares."
 
No mercado internacional, o DXY, que mede o comportamento do dólar ante divisas fortes, voltou a operar hoje acima dos 90 pontos, no maior nível desde 29 de dezembro. Os estrategistas do JP Morgan avaliam que o Congresso nas mãos dos democratas dá algum respiro para o dólar, após a divisa testar os menores valores no final de 2020 desde 2018.