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Crédito a pessoas físicas tem primeira reação após pandemia

30 de Julho de 2020

Depois de dois meses de queda, o crédito bancário a pessoas físicas voltou a crescer em junho, em mais um sinal de início de recuperação da atividade econômica depois da crise do coronavírus. O crédito para as empresas também começa a retomar um padrão mais normal, com o arrefecimento da demanda por linhas emergenciais e retomada da contratação de empréstimos de prazos mais longos.
 
Dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira mostram que o estoque de crédito a pessoas físicas cresceu 0,7% em junho, chegando a R$ 2,042 trilhões, após sofrer retração em abril e maio. O destaque foi o aumento de 3,7% nas operações com cartão de crédito à vista, que havia caído fortemente em decorrência das medidas de distanciamento social. As concessões no cartão de crédito à vista subiram 13,8% em junho, comparadas ao mês imediatamente anterior. Apesar da recuperação, o volume contratado segue abaixo do patamar mensal superior a R$ 80 bilhões que vinha sendo observado antes da pandemia.
 
Os empréstimos a pessoas físicas eram, até a crise, o carro-chefe do crédito bancário no país, refletindo os estímulos monetários feitos no ano passado pelo Banco Central. “A volta do crédito livre a pessoas físicas parece consistente com a recuperação gradual da economia”, disse o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha. “Mas é apenas um primeiro número, precisamos observar os meses seguintes”, disse.
 
Os dados também sugerem recuperação dos financiamentos a veículos, com uma alta de 44,8% nas concessões, entre maio e junho. As concessões de financiamentos a veículos caíram a menos da metade depois da pandemia, passando de R$ 9,390 bilhões em fevereiro para R$ 4,338 bilhões em abril. Em junho, aproximou-se do patamar de antes da crise, com R$ 9,061 bilhões. Uma parte da alta pode ter sido reflexo da demanda reprimida nos meses anteriores, mas ainda assim Rocha destaca que segmento de crédito de bem durável sinaliza a recuperação na confiança na economia.
 
Um outro segmento que ganhou impulso no crédito às famílias são os financiamentos imobiliários, que tiveram alta de 25,1% nas concessões em junho, chegando a R$ 10,098 bilhões.
 
No caso de pessoas jurídicas, as concessões de linhas de capital de giro com prazo superior a 365 dias aumentaram 41,5% entre maio e junho, chegando a R$ 24,261 bilhões. O estoque dessas operações subiu 2,9%, para R$ 294,599 bilhões. Para Rocha, esse é mais um sinal de que a economia está se recuperando, embora também nesse caso ele ressaltou que são necessários mais dados para confirmar a tendência.
 
Nos primeiros momentos da crise, as grandes empresas passaram a demandar linhas de curto prazo, sacando limites previamente negociados com os bancos. Isso fez com que as concessões nas linhas de capital de giro com prazo até 365 dias quintuplicassem, passando de R$ 4,655 bilhões em fevereiro para R$ 23,487 bilhões em abril.
A partir de então, começaram a recuar. Mas os valores contratados em junho, de R$ 10,490 bilhões, representam o dobro das concessões de antes da crise.
 
A expansão do mercado de crédito em junho ocorre em um contexto de queda nas taxas de juros. No caso das empresas, as taxas médias cobradas em junho ficaram em 10,9% ao ano, ante 12,1% ao ano em maio. Os juros cobrados das famílias recuaram de 26,2% para 25%. Uma parte dessa queda se deve aos cortes nos juros básicos da economia, que reduziram os custos de captação dos bancos. Mas também houve queda nos spreads bancários. Para pessoas jurídicas, recuaram de 8,2 pontos percentuais para 7,3 pontos; e, para pessoas físicas, baixaram de 22,1 pontos para 21,3 pontos.
 
A inadimplência do crédito bancário caiu no mês, de 3,2% para 2,9%, em parte favorecida pela medida adotada pelo Banco Central que incentivou a postergação de pagamentos durante a pandemia. A previsão é que, nos próximos meses, o indicador suba, em decorrência da recessão.