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Oi e Conta Zap terão ‘banco digital’ para baixa renda

Operadora vai oferecer produto a 29 milhões de clientes. Serão produtos como consórcios e empréstimos, além de prestação de serviços que incluem pagamento de contas, transferências e recargas de celular


Fonte: Valor Econômico - 28 de Julho de 2020

A operadora Oi e a fintech Conta Zap fecharam acordo para criação de uma joint venture de conta digital para clientes da empresa de telefonia. A proposta das companhias é buscar principalmente os clientes desbancarizados, dada a maior penetração de telefone celular do que de conta bancária no país, mirando assim o público de baixa renda.
 

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Como a Conta Zap opera por meio de mensagens com os clientes no aplicativo WhatsApp, a nova sociedade une as duas funcionalidades no mesmo meio. As empresas já assinaram memorando de entendimentos, vinculante, e estão formatando a operação, de acordo Roberto Marinho, fundador da Conta Zap.
 
Na joint venture, a participação majoritária é da fintech, que entra com a operacionalização, enquanto a Oi entra com a base de clientes e a comunicação com essa carteira para ativar as contas. São 24 milhões de contas pré-pagas e cerca de 5 milhões de contas pós-pagas recebendo mensagens da operadora sobre a disponibilização de uma conta digital gratuita.
 
As companhias dividem a receita bruta de produtos como consórcios e empréstimos, além de prestação de serviços que incluem pagamento de contas, transferências e recargas de celular.
 
A sociedade acontece no momento em que a Oi negocia a venda de sua operação de telefonia móvel. A princípio, o negócio não incluirá essa empresa de serviços financeiros — mas pode fazer sentido num segundo momento, uma vez que outras companhias, como a TIM, Vivo e Claro podem também entrar nesta mesma sociedade de carteira digital, apurou o Valor.
 
“Todas as faixas de renda utilizam o WhatsApp por várias horas ao dia, então é uma facilidade. No mundo todo, as operadoras de telecomunicação são fortes em serviços financeiros justamente por essa facilidade e penetração”, diz Marinho. Ele ressalta que outras operadoras já têm avançado no Brasil nesse tipo de parceria, caso da associação feita pela TIM com o banco digital C6 para contas do serviço pós-pago.
 
No caso da Oi e Zap, a proposta é chegar na baixa renda por meio de contas pré-pagas, ainda que a fintech também trabalhe com público A e B e tenha cartão black. “A entrada de fintechs e do próprio WhatsApp diretamente em pagamentos está mais ligada a público com renda acima de R$ 5 mil mensais. No nosso caso, nossa principal concorrente são as lotéricas, onde esse cliente das classes C e D faz transação”, explica Marinho.
 
O universo de clientes da Oi que a joint venture vai focar tem renda média de R$ 2 mil a R$ 3 mil mensais. “Isso é viável porque controlamos o custo na terceira casa decimal por transação, o que vai viabilizar tíquetes bem menores do que a média do mercado busca”, diz.
 
No uso do aplicativo para o serviço, o cliente não precisa utilizar a capacidade de armazenamento de seu celular, que costuma ser mais baixa nessa faixa de renda, ou gastar o crédito de internet banda larga, que também é limitado mensalmente — daí o entendimento das empresas de potencial nas classes C e D.
 
A sobreposição deve ser baixa em relação à base atual de clientes da Conta Zap, diz Marinho, uma vez que ela é atualmente de 500 mil contas ativas e o universo da Oi muito mais amplo.
 
Para Marinho, a entrada do WhatsApp em meios de pagamento não representa uma ameaça ao crescimento do negócio da Conta Zap. “Acreditamos que temos vantagens competitivas pelo fato de estarmos há cinco anos trabalhando nesse projeto. Não precisa comprovar renda, ter o nome limpo, enviar documentos, e é uma conta gratuita sem limites de transações ou tarifa de transferências”, argumenta.
 
A Conta Zap já tinha aberto conversa com as quatro maiores operadores de telefonia do país, no fim do ano passado, para definir parcerias e sociedades para este ano. Mas foi a pandemia da covid-19 que acabou acelerando o passo e aproximando a empresa da Oi. Em recuperação judicial, a companhia já vinha buscando meios de rentabilizar seus ativos.