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Enquanto outras linhas têm retração, consignado cresce 22% no início do ano


Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO - 23 de Maio de 2017

As concessões de empréstimos consignados cresceram 22% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2016, segundo dados do Banco Central. 

De janeiro a março, o crédito a pessoas físicas das outras linhas caiu 4,6%. 

A alta do consignado pode parecer expressiva, afirma Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo da Anefac (associação de executivos de finanças), mas a base de comparação, que é o volume do começo de 2016, é baixa. 
"Os bancos não podem ficar eternamente sem emprestar. Eles precisam rodar a máquina e privilegiam operações onde há risco menor." 

O volume de concessão de consignados tende a crescer ainda mais com a decisão do governo de permitir que se use o saldo do FGTS como garantia dessa modalidade de empréstimo, afirma ele. 

Essa regra passou a valer em abril. Os números deste mês ainda não foram divulgados pelo Banco Central. 
A diferença de desempenho das duas linhas deve se intensificar nos próximos meses, afirma Cesar Castelani, professor e pesquisador da Fundação Getulio Vargas. 

Os consignados devem crescer com a possibilidade de dar o FGTS como garantia, mas as outras linhas estão mais suscetíveis às circunstâncias macroeconômicas. 

"O risco é grande para quem empresta e para quem precisa de empréstimo -com a última crise que afeta o Executivo, os bancos não devem ampliar crédito sem garantia e a demanda vai cair." 
 
Queda do setor de linha branca perde ritmo, mas ainda é de 3% no 1° tri 

A venda de produtos de linha branca caiu 3% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2016, aponta a Eletros, que reúne fabricantes. 

A retração do setor perdeu ritmo em 2017: as vendas haviam caído 17%, em 2015, e 11%, no ano passado. 
"Alguns itens já até apresentam altas, como as geladeiras, que venderam 8% mais", afirma o presidente da associação, Lourival Kiçula. 

Os segmentos de fogões e máquinas de lavar puxaram a retração, com quedas de 13% e 6%, respectivamente. 
No caso das lavadeiras, há uma perspectiva de recuperação a partir de junho, com o inverno, diz Fabiano Portas, responsável pela área de linha branca da LG. 

A retomada de eletrodomésticos se mostrou mais lenta que outros eletrônicos por terem um ciclo de duração maior, segundo o executivo. 

A venda de televisores, por exemplo, teve alta de 38% no primeiro trimestre, e a de celulares, um aumento de 19%.