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Retomada do crédito será puxada pelas empresas, diz Bradesco

Presidente do banco afirma que inadimplência parou de piorar
Fonte: O GLOBO - 05 de Abril de 2017

SÃO PAULO - A concessão de crédito às empresas vai voltar a crescer primeiro que os empréstimos para consumo por parte das pessoas físicas. Ainda assim, o sistema bancário verá um crescimento pequeno de suas operações em 2017, segundo expectativa do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco.

 

— O crescimento do crédito via se dar pela taxa de investimento. A expectativa de desemprego faz com que as pessoas não tenham grande apetite por crédito — afirmou a jornalistas durante Brazil Investment Forum, organizado pela instituição.

 

Esse crescimento, no entanto, não deverá ser elevado, uma vez que a expansão do crédito costuma acompanhar o crescimento da atividade econômica. Ainda assim, o executivo acredita que o desempenho do segundo semestre será melhor que o do primeiro.

 

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— O crédito é um multiplicador do PIB, então não é ainda uma retomada. Mas esse ano vamos ver dois em um, com o segundo semestre muito melhor que o primeiro — explicou.

 

O banco espera que a sua carteira tenha um crescimento entre 1% e 5% neste ano.

 

Sobre a inadimplência, que em dezembro chegou a 5,5%, ante 4,1% em igual mês de 2015, Trabuco afirmou que ela dá sinais de estabilização, mas que sua redução irá depender do crescimento da carteira de crédito - o índice de inadimplência é a porcentagem das operações com atraso superior a 90 dias do total da carteira de crédito.

 

— A inadimplência parou de aumentar. Vimos um leve aumento em fevereiro e talvez ainda alguma coisa em março, mas já está quase estável, embora em patamar ainda elevado — disse, acrescentando que enquanto o patamar se mantiver em alta, os bancos devem continuar com despesas elevadas de provisões para devedores duvidosos (PDD), que servem para lidar com eventuais calotes e que acabam pressionando os juros para cima.

 

SEGUNDO SEMESTRE AQUECIDO

O segundo semestre deverá ser melhor não só na concessão de crédito tradicional, mas também no mercado de capitais. Renato Ejnisman, diretor-executivo do Bradesco, várias empresas já estão se preparando para emissões de dívida e ações que devem ocorrer a partir de julho, quando os sinais da recuperação da atividade econômica estiverem mais claros.

 

— Estamos em um momento de virada de chave. Vemos uma volta no segundo semestre do ponto de vista do mercado de capitais. Há investidores interessados, principalmente no exterior, devido ao porte da economia brasileira e a um ambiente de taxas de juros baixos globalmente, mesmo se comparado a uma Selic mais baixa — disse.

No mercado de renda variável (ações), o executivo afirmou que mais empresas devem realizar abertura de capital (IPO, na sigla em inglês). Segundo ele, entre 10 e 15 companhias que são clientes do banco já estão com os preparadas para esse processo. O número pode subir para 30 a 40 com a melhoria da economia.

 

A melhora da economia também deve fazer com que mais empresas emitam dívida, como debêntures, para bancar seus projetos de crescimento. Essas operações terão demanda pelo lado dos investidores, que buscam alternativas mais rentáveis do que os títulos públicos, que estão com juros em queda devido à redução da Selic e da inflação.