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Fintech oferece financiamento mais barato usando carro e casa como garantia

Taxas de juros e inadimplência são mais baixas do que a média do mercado, segundo a Creditas
Fonte: ÉPOCA - 22 de Março de 2017

Quem precisa fazer um empréstimo pessoal no Brasil atualmente terá que pagar, em média, 140,9 % ao ano em juros, segundo dados do Banco Central. Para Sergio Furio, espanhol com experiência no mercado financeiro dos Estados Unidos, isso é um fenômeno singular. Apesar de nociva para o bolso dos brasileiros, essa característica foi vista por ele como uma oportunidade de negócios. Foi daí que nasceu a ideia da Creditas, fundada em 2012 sob o nome de BankFacil. A empresa é uma plataforma de crédito que oferece empréstimos usando imóveis ou carros como garantia. Este ano, a fintech foi escolhida pela revista Fast Company como uma das companhias mais inovadoras da América Latina. No encerramento de dezembro de 2016, a empresa tinha uma carteira ativa de crédito no valor de R$ 135 milhões.

 

“O Brasil tem um mercado muito grande em crédito, com taxas de juros muito altas e prazo da dívida muito curto. Isso leva a um grande comprometimento da renda, e a população acaba por não conseguir pagar seus empréstimos”, diz ele. 

 

Em 2012, a BankFacil foi criada como uma plataforma para ajudar os bancos a atrair clientes interessados em fazer empréstimos. Mas, aí, Furio se deparou com uma realidade um pouco diferente do que havia imaginado. “O problema não era tanto levar o cliente a uma instituição financeira, mas conseguir entregar um crédito adequado a ele”.

 

A escolha pelo crédito com garantia teve algumas razões. Em primeiro lugar, o baixo risco. Na Creditas, a inadimplência em empréstimos que têm veículos como garantia é de 3,9%, enquanto na garantia com imóvel é de menos de 1%. Segundo o Banco Central, a média do mercado para os empréstimos pessoais é de 8,6%. Além disso, afirma Furio, esse era um produto financeiro pouco explorado no Brasil. 

 

Na Creditas, quem quer usar o imóvel como garantia pode pegar empréstimos de, no mínimo, R$ 30 mil. Os juros (com as demais taxas e impostos incluídos) variam entre 16,08% e 29,98% ao ano, em operações com prazo de 120 a 240 meses (5 a 10 anos). Quem escolhe o carro como garantia pode pegar emprestado a partir de R$ 2 mil, com taxas entre 33,86% e 94,49% ao ano, por um prazo de 12 a 48 meses.

 

A plataforma da Creditas, disponível pelo site da empresa, opera todos os passos do financiamento: desde a geração até a formalização do contrato. Para conseguir os recursos dos empréstimos, a companhia faz uso de várias fontes de crédito: bancos, hipotecas, instituições financeiras e fundos de investimento, além de capital próprio.

 

“Fazemos todo o processo de crédito, desde coletar a informação do cliente e fazer os algoritmos de crédito a precificar e estruturar a operação, além do relacionamento com cliente”, diz. Mas nem sempre o crédtio é oferecido diretamente pela Creditas. A empresa atua com instituições parceiras que também concedem empréstimos pela plataforma. Depois de analisar os dados pessoais, a Creditas oferece aquele cliente aos parceiros. Quem oferecer a menor taxa de juros faz o empréstimo para aquele consumidor. "Somos um marketplace", afirmaFurio.

 

Depois de escolhida qual será a instituição a conceder o crédito, a própria Creditas faz o contrato e leva os papéis ao cliente e à instituição para recolher as assinaturas.

 

Para fazer um empréstimo com garantia, é necessário celebrar um contrato de alienação fiduciária, no qual o bem passa a ser também de propriedade do credor. Quem deixar de pagar a dívida pode, sim, acabar perdendo o imóvel ou o automóvel.

 

O empréstimo tomado usando o veículo como garantia é liberado bem rápido — o dinheiro cai na conta do cliente de 2 a 5 dias após a solicitação. Já quem usa o imóvel demora um pouco mais para receber os recursos: de 4 a 8 semanas, segundo a empresa.

 

Se o consumidor ficar inadimplente por três meses, a Creditas inicia o processo judicial de retomada do bem, diz Furio. Durante esse período, o cliente pode pagar as parcelas em atraso. “Não é de nosso interesse fazer retomadas de bens”.